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Relacionamento entre irmãos – A chegada do irmãozinho

De maneira geral, o convívio entre irmãos é positivo porque envolve profundas lições de relacionamento. Mas se não for bem orientado, pode afetar mais tarde a vida adulta, prejudicando as relações afetivas e sociais.

A preparação da criança mais velha no que se refere a aceitação do irmãozinho deve ser iniciada preferencialmente durante a gestação deste irmão que está por vir. É importante que ela desenvolva um relacionamento com o bebê na gravidez da mãe, que participe desta gestação, afim de que o bebezinho seja amado e bem vindo quando nascer, esta participação pode ajudar a criança a não se sentir rejeitada e nem enciumada. Algumas dicas úteis que podem ser usadas na gravidez para que a criança receba bem o irmão:

Ψ Os pais podem levar o filho mais velho para escolher o enxoval, bem como aceitar as suas opiniões.

Ψ Falar que o irmãozinho vai ficar muito feliz em conhecê-lo, que terá sorte em ter ele ou ela como irmão porque ele é uma criança muito boa… Ressaltar, nesse período as suas qualidades.

Ψ incentivar o filho pequeno a dormir encostando a cabecinha na barriga da mãe grávida, e falar para ele coisas como: “estou abraçando os meus dois bebes”, isso fará com que a criança se acostume com a idéia de outra pessoa na família, bem antes do nascimento, e vai incentivá-la a aceitar o bebezinho mais facilmente quando nascer.

Ψ A criança deve acompanhar os pais nas consultas com o obstetra, para que possa ouvir os batimentos cardíacos ou ver o bebe no exame do ultrassom. 

Ψ A mãe deve assegurá-la que o bebê está seguro e feliz dentro da sua barriga e colocá-la para sentir os chutes do irmãozinho.

Ψ Falar que o bebê se acalma ao ouvir sua voz ou ao sentir que acaricia sua barriga.

Ψ Os pais podem ajudar seus filhos respondendo a todas as perguntas e fornecendo o máximo de informações possíveis em cada etapa da gestação. Crianças com menos de oito anos devem ter suas dúvidas esclarecidas com uma idéia geral. Uma boa opção é mostrar figuras de livros sobre gravidez, com ilustrações mês a mês, explicando como o feto se desenvolve à medida que as semanas passam, para ajudar a explicar como um bebê cresce e se desenvolve dentro do útero.

Ψ É interessante nesse período mostrar-lhes fotos de quando estava grávida dele, isto vale também para depois do nascimento quando podem ser mostradas as foto de quando ele tinha o tamanho do irmãozinho, sempre valorizando estes fatos, por exemplo: falando que os pais ficaram muito felizes com sua chegada, e que ele é muito especial por ser o primeiro, que ganhar um irmãozinho não vai representar nenhuma perda, que pelo contrario é um ganho, é um presente, pois o irmão será uma pessoa que vai amá-lo e admirá-lo simplesmente por ser seu irmão.

Ψ Cuidar para que pouco mude em sua rotina, fazê-lo entender que ocorrerão mudanças, porem os pais devem ficar atentos para que com as mudanças, a criança não se sinta prejudicada, nem ameaçada, mantendo a atenção que antes lhe era dispensada, por exemplo, se a mãe tinha o hábito de levá-lo ao colégio, ela deve retornar esse habito logo que seja possível.   

Ψ Não criar falsas expectativas na criança, por exemplo, que vai ganhar um irmão para brincar, pois sabemos que demora muito para o bebê começar a brincar com o mais velho. Explicar-lhe também que leva bastante tempo – nove meses – para o bebê ficar pronto para nascer.

Ψ Pedir para que os amigos e familiares ao irem visitar o neném, dirijam-se primeiro ao mais velho para cumprimentá-lo. Pois é muito triste para ele ver todos chegando com presentes e correndo direto para o berço do bebê, isso faz com que a criança se sinta deixada de lado o que poderá prejudicar o relacionamento dos dois posteriormente.

O primeiro filho sente-se enciumado, pois acostumado em ser o centro das atenções dos pais, sente-se “destronado” pelo nascimento do irmão. A criança é surpreendida pela constatação de que deixou de receber a totalidade das atenções e que grande parte do interesse que sua mãe e demais familiares lhe dedicavam passou a concentrar-se no “intruso” recém chegado. Essa descoberta a faz sentir-se abandonada, reage então, mostrando-se irritada com o bebê ou tornando-se agressiva e exigente com a mãe.

Toda criança quer sentir-se especial e logo mostra ressentimento se achar que o irmão esta sendo favorecido pela mãe, e como algumas crianças tendem a mostrar insegurança quanto ao amor dos pais, podem captar as mais variadas nuances, até mesmo as que os pais não dão importância e se perceberem algum mínimo sinal de preferência pelo outro filho, verão confirmada a predileção em centenas de outros incidentes.    

As vezes sua luta pela reconquista da posição que ocupava no afeto dos pais toma a forma de uma regressão no comportamento sem razão aparente, rejeita a alimentação, sente dores, engatinha no lugar de andar, volta a apresentar enurese, fala que não consegue ligar o chuveiro ou acender a luz, pois estes são os meios que encontra para atrair novamente as atenções. 

Para evitar e minimizar os conflitos após o nascimento, os pais podem, nos primeiros meses, dar mais atenção ao filho mais velho, pois para o bebê recém nascido basta estar alimentado, limpinho e ganhando colinho e a devida atenção quando chora, enquanto o mais velho, que já possui uma maior capacidade de compreensão, está prestando atenção em tudo que ocorre, para certificar-se que não perderá seu lugar. É necessário que o pai e outros familiares colaborem com a mãe nesse momento, pois ela fica sobrecarregada com os cuidados ao recém nascido.

Uma sugestão eficaz é ressaltar para o irmão mais velho que o tempo dispensado ao bebê não equivale a uma maior quantidade de amor e sim a uma maior necessidade de cuidados e da ajuda mais assídua de um adulto, que as vezes pode até parecer que os pais e outras pessoas gostam mais do menor, mas que isso não é verdade, a diferença é que o recém nascido não sabe alimentar-se, higienizar-se e mobilizar-se sozinho, como ele que já possui tais habilidades, e que quando ele era pequeno, as pessoas fizeram o mesmo, todos vieram para conhecê-lo, a mamãe lhe dava mama, banhos, mamadeira… conseguindo compreender a experiência dessa forma, pode ser convidado a participar dos cuidados do bebê e costuma nascer nesses casos um sentimento de importância e valorização o que irá minimizar ou excluir o ciúme excessivo, a agressividade e a raiva, criando sentimentos de fraternidade, amizade, companheirismo e amor.

O melhor é não demonstrar preferência por nenhum filho, mais apreciar cada um deles, tal como são como indivíduos. Ressaltar a individualidade de cada um, fazer observações construtivas sobre as diferenças, pontos positivos e realizações. Deve-se elogiar corrigir, presentear, atribuir deveres, tudo de acordo com o que convém a cada um deles, segundo suas necessidades, idades e inclinações individuais.

Valorizar falando para a criança maior – para que se torne consciente – o que ele ou ela já pode fazer por ter uma idade avançada. Falar que o irmão mais velho é muito importante na vida do menor, pois com o tempo poderá ensiná-lo tudo o que sabe. Ensiná-lo a reconhecer que cada um tem a sua vez de ser especial, os filhos amam os pais incondicionalmente, e em troca cada um merece uma atenção extra.

Nesse momento as palavras são importantes, mas os atos contam muito mais, abraços apertados, passar mais tempo com ele sozinho, como por exemplo, organizar passeios exclusivos, levá-lo ao parque, ao shopping, elogiar uma nova técnica adquirida, e contar-lhe estórias na hora de dormir.

Esclarecer o que percebem e na hora que percebem o que o filho esta sentindo e assegurá-lo de seu amor, por exemplo, a criança faz reina quando a mãe esta com o bebê no colo, esta pode falar: “Filho você esta gritando porque esta sentindo ciúmes, você não precisa mostrar o que sente desta forma, a mamãe e o papai te amam muito e assim que seu irmãozinho dormir nós vamos brincar juntos”. Falar sempre: “Você é nosso filho mais velho e, portanto é muito importante para nós”.

É fundamental que os pais ou na impossibilidade dos dois, apenas um deles reserve um tempo só para a criança mais velha, mesmo que seja uma hora por dia, mas que seja um tempo só dela e da mamãe ou dela e de ambos os pais, e durante esse tempo, voltem totalmente sua atenção para a criança, brinquem com o filho, escutem o que ele tem a falar e conversem quando for o caso, apenas brincar e não fazer mais nada durante este tempo vai ajudar para que a criança sinta-se segura, querida e importante. Eu sempre sugiro isto para os pais, pois esta aproximação diária trás muitos benefícios em longo prazo, pois vai facilitar o diálogo na adolescência e por toda a vida. 

Os pais podem dar exemplos de sua infância, por que as crianças adoram ouvir sobre esse tema, falando: “filho eu também fiquei com ciúmes quando meu irmão nasceu, mas com o tempo descobri que não havia motivos para isto, pois os pais amam todos os filhos e meu irmão ficou sendo meu grande amigo e companheiro”… eu sou madrinha do seu priminho, que é filho do meu irmão…

A criança pode agredir o irmão ou outros familiares, e às vezes até a própria mãe porque por algum motivo sente-se excluída e até mesmo não amada e os pais devem agir rapidamente para tranqüilizá-la reafirmando seu amor por palavras e atos, dedicando-lhe mais tempo e repetindo o tempo todo que a amam. Nunca deixar que o mais velho trate mal o mais novo, isto é uma lição de vida não permitir que um agressor mais forte intimide uma vitima fraca, é importante que os pais não deixem os dois sozinhos, pois o irmão maior pode machucar o menor o que causará danos físicos e com isto virá o sentimento de culpa no filho que concretizou a agressão o que fará com que a situação se torne pior.

O importante é sempre fazer com que a criança participe da vida desse bebê e dar muito carinho para ela, pois o menor precisa mais de cuidados físicos. Não se deve castigar a criança ciumenta do irmão, porque ela pode passar a esconder seus sentimentos e desenvolver ansiedade. Isto é bastante perigoso porque podem acarretar problemas futuros de adaptação e eventuais conflitos de ciúmes na vida adulta.

Os pais não devem tentar compensar a criança ciumenta fazendo todas as suas vontades, todos os pais, tem comportamentos em relação aos filhos que consideram corretos e, no entanto podem estar alimentando a situação. Quando sentem que estão deixando a criança de lado em função do novo irmão, costumam permitir e tolerar certas condutas que normalmente não aceitariam, as vezes reparam sua culpa enchendo a criança de presentes e doces ou liberando totalmente seus limites, o que não é benéfico, o ideal é que os pais deixem a culpa de lado porque tudo que fazem a seus filhos é por amor, e apenas não alterem o que estavam acostumados a fazer com e para a criança, lhe dêem carinho e atenção – o que nunca é demais – e estimulem para que ela participe e auxilie na vida do irmão, fazendo o que já pode fazer como, por exemplo, pegar uma fraldinha para a mãe, passar o sabonete, a toalhinha no banho do bebê…

Quando há mudanças no comportamento, hiperatividade, agressão física ao irmão menor ou quando a criança regride as etapas anteriores de seu desenvolvimento, como por exemplo, ela volta a apresentar enurese ou quando quer novamente à chupeta ou a mamadeira, por um período relativamente longo, torna-se necessária uma avaliação e um acompanhamento psicológico.

Outras indicações de tratamento, vocabulário restrito para a idade, dificuldades para elaborar frases, desatenção, dificuldade de aprendizagem, instabilidade emocional, tristeza, timidez excessiva e dificuldade de brincar.

Ciúme entre irmãos é um sentimento comum e até certo ponto normal, é importante, entretanto, que os pais saibam lidar com as situações de rivalidade, prevenindo o desenvolvimento de conseqüências negativas no futuro. O primeiro passo é preparar psicologicamente o primeiro filho para a chegada do irmãozinho e não diminuir as atenções que sempre lhe dedicaram. Depois se deve fazer com que assuma o papel de irmão mais velho e ajude a cuidar do bebê, não importa que sua ajuda não seja efetiva, o importante é que demonstre interesse pelo irmão. Gratificadas e valorizadas no “cuidado” com o bebê, as crianças percebem que não estão perdendo o afeto dos pais e desta maneira ficam mais seguras e felizes, o que é o desejo de todos os pais.

Ronize Patricia Silva Ferreira

Psicóloga – CRP 12/02648

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